quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pela manhã.

Acordei hoje com sintomas de gripe, mas não havia dor no corpo e com o nariz estava tudo bem. Fui até o espelho e notei que meus olhos estavam vermelhos. Era como se eu tivesse passado a noite acordado, mas me lembro muito bem de ter ido dormir, e de ter pegado no sono logo. Sentei na cama e me senti tão inútil, tão sem fé... minha unica vontade era de ficar ali, encostar a cabeça no travesseiro, e pegar no sono de novo, nem que fosse de leve. Mas, eu tinha obrigações. Um horário para chegar no trabalho, e fazer toda aquela mesma coisa de sempre, para receber a quantia que pagaria a faculdade no fim do mês. Eu achei que me divertiria mais, sabe? Que eu acordaria sempre antes da hora, ansioso para chegar no trabalho, sem saber o que iria acontecer, mas há sempre uma mesa reservada, uma cadeira, um computador. Tudo igual. E no trabalho, eu sou só o cara incompreendido que prefere ler livros sobre suicídio, do que falar sobre o cotidiano da terra como os demais. O cara que espera todo mundo sair da cozinha, para então ir lá... esquentar duas fatias de pão integral e comer com leite. O cara que ninguém sabe onde mora. Se precisa de meia hora de conversa, um abraço ou se está perfeitamente bem como está. O que não fala nada, além de "bom dia" e "estou indo embora". Resumindo, nada. E não sei se quero passar uma imagem diferente. Parece estranho?
Às vezes, sinto uma necessidade enorme de me sentir incluso. Na maioria, prefiro passar despercebido. Eu quero me encaixar em grupos que tenham interesses parecidos, gostos parecidos. Não consigo forçar relações onde eu tenha que falar sobre o que não gosto, o que não me atrai, daí... fico ali, de escanteio. Voltando aos meus olhos vermelhos, sentado na cama, lembrei do sonho que tive. Não sei bem o motivo, mas eu havia chorado durante as cinco horas em que permaneci dormindo. Alguém tinha morrido, eu tinha pedido demissão, trancado a faculdade, encontrado o amor da minha vida, não sei.  De fato, não havia sintomas de gripe. Era pior que isso.

3 comentários:

FOXX disse...

com certeza bem pior q uma gripe, né?

João disse...

FOXX, você nem faz idéia do quanto.

Leonardo Quirino disse...

Parece que é só acordarmos com os olhos trincados e com aquele cansaço de resfriado avista que já estamos remoendo todas as nossas negatividades e subjeções em relação ao mundo. Querer mudar as coisas é mesmo um fato eterno... enquanto estivermos aqui... respirando... mesmo que ofegadamente estaremos sempre tentando idealizar tudo de forma diferente. Eu sei que um dia a gente faz acontecer e tudo se encaixa e se torna como o desejado. E os sonhos de uma noite podem ser transcritos... eles tem significado... mas parte de cada um elaborar o plano do que se foi sonhado.

Espero que você melhore ou esteja bem... já. Obrigado pelas visitas... e por todas as suas ‘contradições’.