terça-feira, 11 de janeiro de 2011

É sempre assim:

ele chega, aperta minha mão, dá dois tapinhas nas minhas costas, senta do meu lado e começa a puxar assunto. literatura. cinema. música. arte. e outras bobagens. pede uma, ou mais doses de vodka. e continua. às vezes um aperto na coxa direita, seguida de uma risada ao pé do ouvido. e canta, canta qualquer música que lhe venha ao pensamento. e é uma voz bonita de se ouvir, e dá vontade de ficar ali por horas, mas ele logo cessa a cantoria e faz jeito de tímido. olha pros lados, vê se ninguém está o observando e começa de novo. eu fico tentando acompanhar o ritmo, improvisando algumas batidinhas na mesa. perguntam se estou com ele, e antes que eu responda qualquer coisa, ele se adianta: é só um amigo. E então me pergunta se eu já fiquei com pessoa tal, como vão os estudos, o coração. pronto. chegou ao assunto certo. meu coração vai bem, respondo. não vai não, eu penso. ele balança a cabeça positivamente. a noite termina, ele se despede de mim com um abraço longo e fala que deveríamos sair mais vezes.

é sempre assim: eu fico esperando que a gente saia de novo, quem sabe dali há poucas horas, e isso só acontece de mês em mês, vai entender.

Um comentário:

Leonardo Quirino disse...

É... eu também acho que é sempre assim... pra gente... pra todo mundo que se enquadra nesse perfil sentimental e platônico... mesmo no fundo, nós sabendo que é muito mais que isso... é muito mais. Vibrações cardíacas sempre mais aceleradas.
Mas e o medo do ‘não’ imaginário? Ele é cruelmente avassalador... como uma faca afiada que poderia desfigurar toda a alma lá dentro de toda a carne e espírito e nos matar sem a chance de ver quem a gente se espelha para gostar e amar... impedindo-nos de imaginar no amanhã depois das longas horas de hoje que já não mais poderemos ver quem nos completa mais uma vez e começar toda a lamúria amorosa que em cada um é de um jeito. Porém, é como você falou.. e eu concordei... é sempre assim... e continua...


Sorte para o que for... e melhor ainda... se for para o bom que a vida reserva.