sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

dois mil e sete

De você só ficou uma coisa. Recordação não, minha memória é fraca, te avisei, não avisei? Eu falo daquela foto que você me entregou um dia antes de eu terminar com você. Foi por bobagem? Provavelmente. Eu tinha lá meus dezessete, você quase vinte e três. Me julguei novo demais para viver o amor que você tinha me proposto, e te julguei corajoso por querer arriscar-se em mim depois de tantas feridas. Me faltaram forças para dizer sim, mas eu disse. Quase quatro meses. E depois ficamos naquele vai-e-vem, chove não molha, vive não vive, era engraçado, triste, cruel da minha parte. Durante dois anos fiquei nessa indecisão, sem saber direito o que sentia, porque você tinha sido o único. E eu ficava me perguntando: haverão outros? E se passaram meses, anos... e não chegaram outros. E eu ligava: volte. E você voltava, vinha correndo. Até que um dia você encontrou alguém. Eu tive então certeza que de haveriam outros, ainda que até hoje não tenha aparecido nenhum. De você ficou isso de bom: esperança. Não sei se ela vai durar. Tento dar de comer a ela todos os dias, mas não é tão fácil assim. Ela se alimenta de algo que custa caro no mercado, sabe como é?

Um comentário:

Leonardo Quirino disse...

Dizer para largar mão daquilo que é seu... ou foi, não é algo que me cabe. Parece muito fácil quando não fazemos parte, estamos muito longe... mas é inteiramente complicado e sufocantemente agonizante.
Mas, quero arriscar-me a te falar para tentar esmaecer o passado... mesmo que deslizando pelo esquecimento que dói e incomoda... mas tenta. Faz isso por você mesmo. Tente novos olhares... arrisque cheiros novos... troque um sonho por outro e assim por diante.
Óbvio que há quem esteja te esperando em algum lugar... sem saber que você está ai... há quem quer te dar todo o amor do mundo e muito mais... não é surreal... tudo é possível.
Só não continue no martírio das páginas deste livro tão velho... leia outros.


Tá... esqueça o que eu disse me mande à merda!