terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lágrima em silêncio.

- Martin, venha aqui! - [chamou o pai]
- Pois não?
- Sua mãe e eu estamos muito preocupados com você. Você tem dormido bem? Há algum problema na escola que você não tenha nos contado?
- Não, pai.
- Como você sabe, eu sou pastor em uma cidade próxima daqui. Um dia desses, uma mãe trouxe o seu filho para conversar comigo. Ele tinha a mesma idade que você, e também os mesmos sintomas. O garoto estava extremamente fatigado. Seus olhos tinham olheiras, fundos e sem alegria. Sempre evitou olhar seus pais nos olhos, até que alguns dias depois, ficou doente. Isso durou quase meio ano, e tudo foi ocorrendo de forma rápida. Perdeu o apetite, o sono, suas mãos começaram a tremer, sua memória começou a falhar, e seu corpo inteiro começou a se encher de bolhas/pústulas. O corpo que eu havia abençoado, tinha a aparência de um homem velho. Agora você entende o motivo da minha preocupação? O que você acha que fez com que o garoto tivesse um fim tão miserável?
- Não sei.
- Eu tenho certeza que você sabe.
- Eu...
- Bem, eu vou te dar a resposta então. Pouco antes de ficar doente, o garoto viu alguém. Esse alguém danificou os nervos do seu corpo, e forçou entrada por barreiras colocadas ali por Deus. Enquanto doente, o garoto fazia um barulho enquanto dormia, que lembrava soluço, mas um soluço diferente, como se agonizasse. E então filho, você quer me contar algo?
- Não...
- Por que você ficou ruborizado então?
- Ruborizado? Não... Eu senti pena do garoto. [O garoto então começa a se debulhar em lágrimas]
- Então por que está chorando? Seja sincero, Martin. Você está fazendo a mesma coisa que o pobre do garoto?
- Sim.


A fita branca.

3 comentários:

Noleo Vizziv disse...

Também há medo na minha alma. Há tormentas diárias em relação ao que penso de agora em diante... independente do agora. Em uma situação como essa eu também me sentiria perdido em lágrimas silenciosas e altamente destrutivas. Não pelos meus criadores... mais por mim mesmo. Estou aqui por uma ação... a qual eu não tive a escolha para definir o correto para agradar ou fazer feliz. Eu me veria perdido porque eu simplesmente não tenho ninguém além... ai sim eu estaria sozinho... desprotegido no meio do mundo... ainda sobram-me fardos para levar até chegar na independência. Caso eu já tivesse a devida oportunidade, medo não restaria... e nem lágrimas.

Noleo Vizziv disse...

...parece fácil. Mas nunca foi... nem nunca será.

Y a s h a disse...

E eu entendo perfeitamente o Martin, e acho até que, no lugar dele, não mudaria nenhuma reação. Apesar do que, para quem está de fora, até parece fácil. Mas como disse o Noleo Vizziv: Nunca foi, nem nunca será.