sábado, 27 de novembro de 2010

De louco todo mundo tem um pouco.

Estive no manicômio esses dias. Dias que se passaram tão rápido quanto uma faísca no céu - achando que era estrela cadente fiz um pedido, em vão - e tão lentos na mesma proporção. confuso, eu sei. Conheci Matilde, que matara o marido com uma leve facada que acertou em cheio o coração do pobre - pobre de alma-. Ela nega. Eu acredito, sério, eu acredito na inocência de Matilde. Como pode uma mulher tão pura e cheia de sensações indescritíveis nos olhos, matar assim o marido que amara mais do que a própria vida? Ainda que eu desconheça bons motivos para crer na humanidade, prefiro apostar minhas velhas moedas que ainda vagam por aí boas almas para se confiar cegamente. Depois, encontrei Carlos deitado no chão, se debatendo, pedindo para que tirassem dele tudo que fosse podre, mas não havia nada, estava tudo tão branco quanto leite. Que estranho, pensei. Ajudei ele a levantar, e dando os primeiros passos com suor pingando pelo rosto, disse que eu era um anjo. Obrigado. Ele ordenou que eu não o agradecesse que eu nunca fui de ser gentil assim. E ele estava certo. Loucamente certo, eu acho. Coloquei ele na sua cama e ele permaneceu com olhar fixo no teto, como se olhasse um quadro qualquer de difícil interpretação. Já na cafeteria, havia um casal degustando e conversando sobre qualquer coisa que eu não entendia bulufas. Nunca fui mesmo de entender casais apaixonados, nunca nem estive apaixonado - como assim? - por ninguém, nem por mim mesmo, suponho. Até hoje, só pequenos casos que não faço muita questão de forçar a memória para lembrar. Deixe eles lá - quietos, em modo sleep - no lugar que devem estar. Na saída - é, o sinal havia tocado faz alguns minutos - me deparei com borboletas de todas as cores. Uma delas pousou no meu ombro esquerdo e ficou tão próxima que pude ouvir algo mais ou menos assim: seria mais justo se todos nós pudéssemos voar.

3 comentários:

Lu Nascimento disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lu Nascimento disse...

*Ai, errei, tive que postar outra vez...rs
Mas sim, queria rememorar uma frase da Anne Frank, que lembrei agora, ao ler teu post. É assim: "Apesar de tudo, eu ainda creio na bondade humana." ^^

Ai, lindo post.
Quereria eu ter asas para voar pra bem longe...mas aí me vem aquela dúvida "Voar pra onde? - Fazer o que tão longe daqui...?" hum, hum??

beijo, ótimo domingo, João!

Três Egos disse...

Muito bom o texto. Adorei. Muito humano tudo o que descreveu. Sabe que aprendemos muito com os "loucos". São muitas vezes pessoas verdadeiras que apenas querem viver no mundo delas, e nós aqui nos matando para fazer parte do mundo.

Beijo!