segunda-feira, 23 de agosto de 2010

o dia em que entrei em contato com as drogas, assaltantes e tive meu celular roubado.

O tédio reinava naquela noite. Haviam três convites para sair, e isso era bastante raro. Geralmente eu catava convites para sair, ou melhor, importunava meus amigos para saírem de casa comigo. A missão falhava, porque eles sempre tinham algo melhor em mente para fazer com seus parceiros, e eu, sozinho, tinha que me virar. Resolvi aceitar um convite, em especial, de alguém que não era muito meu amigo. Neste relato, o chamaremos de Diego. Não sei bem o motivo de ter escolhido o convite dele, acho que, por ser uma das melhores festas que iria acontecer, e também por eu não conhecer ninguém que estaria nessa festa. Festa temática, até aí nada demais. Ele me disse que seria algo inesquecível. Eu imaginei qualquer coisa, menos pessoas loucas se jogando na piscina, e rindo dos seus celulares molhados e destruídos pelo líquido blue-ice brilhante (esse era o nome que eles davam para "água"). Chegando lá, fui apresentado para as tais pessoas interessantíssimas, com suas roupas da moda, e cabelos brilhantes de cera à base de manga. Não larguei meu celular um só instante, a qualquer momento suspeito, ligaria para algum amigo e pediria para me salvar, ou ir lá enfrentar toda aquela sujeira comigo. Para minha surpresa, passou da meia noite e a festa pareceu normal. O Diego me apresentou para um rapaz muito interessante. Um quase psicólogo que gostava de bandas desconhecidas, e odiava sair de casa aos domingos, bem parecido comigo. Fomos para um local, onde o barulho não interrompesse a nossa conversa, que ia muito bem, obrigado. Meu celular tocou em uma determinada parte da conversa, e eu fingi que não era o meu. Ele perguntou se eu não iria atender, e vendo que o diálogo já havia sido desfocado, resolvi atender. Dois minutos para dizer à minha mãe que voltaria para casa antes do almoço, e mais um minuto para prometer que isso iria mesmo acontecer. Percebi que ele ficou de olho no meu celular, enquanto eu conversava com a minha mãe, embora meu celular não fosse lá essas coisas de chique, ou moderno, ou mais interessante que ele. De repente, a música parou lá do de fora da sala. Eu fui abrir a porta para ver o que tinha acontecido, e ela estava trancada. Eu me mantive em equilíbrio, até que ele disse para eu - gentilmente - dar meu celular pra ele. Antes que eu perguntasse se deveria, ele me mostrou uma arma. Bem, não sei diferenciar um arma de brinquedo, de uma arma de verdade. E mesmo que fosse de brinquedo, um estalo e eu morreria de ataque cardíaco, essa é a realidade dos fatos. Sem pensar uma vez que fosse, retirei meu celular e entreguei para o bonitão assaltante. Confiar em pessoas bonitas não é mais meu forte. Dias depois fiquei sabendo que ele queria meu celular para vender, e morreu antes que conseguisse fazer isso. Ok, a segunda informação não é verídica, foi só uma desejo do meu sub-consciente. Ele abriu a porta e eu fui correndo para a saída da casa, até que cheguei no salão e vi todas as pessoas da festa se esfregando. Parecia uma enorme suruba comunitária, ou qualquer merda parecida. Uma delas, chegou bem perto de mim e me ofereceu algo que tinha um nome bastante estranho, e disse que me deixaria no mundo das nuvens. Se aquele era o mundo das nuvens, eu não quero nunca mais chegar perto de um algodão doce inofensivo. (OBS: Associo nuvem à algodão doce) Eu fingi que aceitei, e depois guardei no bolso da minha calça. Aproveitei toda aquela loucura, pessoas se jogando na piscina e rindo das garrafas de bebida vazias, para ligar pro Vítor. Depois de explicar toda a situação, e a droga de festa (literalmente) na qual havia me metido, ele apareceu lá para me salvar. Sim, ele foi me salvar, quem estaria disposto a enfrentar toda aquela merda? Isso não era um trabalho pra gente, e sim para a polícia. Alguns metros da festa, parei em um orelhão e fiz a denúncia. A polícia chegou lá rapidamente, todas as pessoas foram presas, e a droga foi apreendida. Não. Bem-vindo ao Brasil. A polícia demorou, quando chegou lá, de alguma forma muito "MISTERIOSA" não constataram nada de ilícito, e não acharam droga em lugar algum. É, pelo menos eu não estava lá para participar dessa comunhão de pecadores insanos. O mais legal de tudo, foi que alguns dias depois, minha mãe encontrou o tal produto alucinógeno no bolso da minha calça, e eu demorei muitos meses até conseguir provar, de fato, que aquilo não tinha nada a ver comigo. Mas isso eu conto em uma próxima oportunidade.

Um comentário:

Lord V. disse...

ai gente
eu me sinto tao santo!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
eu nunca fui em festas assim. no maximo, algum grupinho se drogando e outro bebado...

abraços
voy