quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Isabelle.

Ele de uma cidade, ela de outra. Se conheceram em um festival parasiense, quando ambos estavam de férias. Tinham o mesmo gosto dramático por filmes de romance com dedos de ficção,e por que não dizer que ficção são os finais felizes? Durante as férias, conseguiram ser um para o outro, a melhor que coisa que acontecera naqueles trinta dias em Paris. Mas, como toda história de amor, essa deveria que ter uma pausa, visto que, ela estudava pintura no Rio de Janeiro, e ele dava aulas de dança em uma famosa escola no Chile. Um dia antes, Carl deixou a cidade e veio embora sem dizer adeus, deixou apenas um bilhete dentro da mala de Isabelle. Quando ela acordou e não encontrou o seu corpo ao seu lado na cama, desabou a chorar e caminhou até o bar mais próximo. Bebeu como nunca havia bebido antes na vida, e quase, quase foi parar no hospital. Imaginou que nunca mais o veria de novo, e que talvez aquilo tudo não passou de uma brincadeira, afinal, era Paris, e não havia lugar mais inspirador que começar um romance, só não sabia que também era o local mais mórbido para se acabar um dessa forma. Já não via mais beleza em nada. Ligou para o Brasil, cancelou suas aulas de pintura, começou um curso de música em Paris, e começou a cantar em alguns barzinhos da cidade. Tinha uma bela voz, sempre disse isso a ela. Pintura nunca foi a área dela, mas como vinha de uma famílias de pintores famosos [talvez você conheça algum deles achou que isso estaria no seu destino também. Isabelle demorou cinco anos para superar isso tudo, até que finalmente resolveu jogar fora tudo que lembrasse Carl. Ela iria seguir em frente, estava disposta a isso. Revirando as coisas no apartamento, enquanto relia os bilhetes que ele deixava toda vezque saía sem ela pela cidade, encontrou um bilhete, já um pouco amarelado. Eram poucas linhas que a deixaram pensativa por vários segundos, embora tudo fizesse sentido agora. Procurou na internet, qualquer informação sobre a escola que Carl estudava, e encontrou um telefone. Ligou. Cada ruído que se ouvia do outro lado da linha, ela sentia seu coração pulsar quase que em uma mesma sintonia, até que estivessem desregulados, o seu peito estava quase sufocando os outros orgãos do corpo.


- Alô?
- Eu gostaria de falar com o Carl.
- Carl? Da contabalidade?
- Contabilidade? Aí não é uma escola de dança?
- Foi há uns anos, você não está sabendo de nada?
- De nada?
- Sim... a escola foi fechada há uns três anos quando uma pessoa morreu de câncer.

Isabelle hesitou em perguntar um nome por alguns segundos.

- Qual o nome dele?
- Roberto.
- Roberto?
- Sim, o que aconteceu foi que um rapaz veio de Paris às pressas para tentar ajudar o melhor amigo, mas houve um grande problema no transplante, e o paciente não aguentou.
- Era compatível?
- O único. Carl era o único que podia salvar o amigo, e depois que não conseguiu fazer isso, fechou a escola e nunca mais ninguém o viu.
- Você não têm nenhum [a ligação caiu]

Deitada na cama, segurava o telefone na mão direita e as lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto. Durante os trinta dias, Carl ajudou Isabelle a seguir os seus próprios sonhos, os próprios desejos, e quando deixou Paris, não foi porque não a amava, e sim porque precisava. Essa foi a única vez que ela amou alguém de verdade, e mesmo sem saber que ele havia morrido de depressão, a moça sentia que de alguma forma nunca mais iria encontrar qualquer pessoa que parecesse com Carl.

6 comentários:

Clara Campelo disse...

Ah meu deus, que vergonha! ;x
Vê como quase não sai palavra alguma?
Ô timidez que barra minha expressão, brazhill UHSUshuS
Ainda assim, obrigada, João! :)
Beijo e continua com o blog.
Adoro oq escreves!
;*

FOXX disse...

fazendo uma critica literária
acho q o diálogo é a melhor parte do texto...

Ana Yasha disse...

Muito bonita história, João.
Obrigada pela visita no Labirinto...
Sei que faz tanto tempo, mas estou estudando fora e lá fico sem internet, então meu contado com o blog estava mínimo por falta de oportunidade. Agora estou em casa, de férias, e procurando dar conta de todos os comentários não lidos e de todos os que apareceram nesse espaço curto de tempo e que eu ainda não tive oportunidade de falar...

Seja sempre bem vindo por lá. Abraço. :)
Gostei do seu cantinho...

FOXX disse...

não, infelizmente meu blog não muda nunca, infelizmente!

Clara Campelo disse...

só faltou seguir, JP ;]

Luh disse...

João!


Saudade de te ler (;
Ando tão ausente daqui...

Bom, passei agora, especialmente, para te desejar um Feliz Natal, e todos aqueles clichês de Jingle Bell..rs

Beijo, e até mais ver ;)