quinta-feira, 17 de março de 2011

Carnaval e melancolia.

A semana passou arrastada. Enquanto estava de folga do trabalho, aproveitei pra repor o sono acumulado por conta do carnaval. Como se sono pudesse ser reposto, não é mesmo? E não, esse carnaval não foi bom. E não, não que eu ame carnaval, mas... sempre acabo indo, e quando chego lá, sempre acabo me divertindo e ouvindo aquelas músicas que só irei ouvir durante o carnaval. Voltando ao fato deste carnaval não ter sido bom, se deve mais ao fato de eu não estar me sentindo bem mesmo... acabei por ir a força, digamos assim. Força do costume. Não vou dizer que fiquei de cara amarrada, até porque não teria nada mais chato do que ficar na companhia de alguém de mal-humor "aparentemente" sem motivo nenhum. Mas nas duas noites que eu fui, assim que acabava ficava aquele gostinho ruim na garganta, como quando a gente se força a comer algo que não quer, e depois fica passando mal. "Eu já sabia, não devia ter comido". Mas acabou, graças a Deus acabou. Finalmente o ano começou. E continua da mesma forma que estava antes do carnaval, tudo péssimo. Tudo bem, soou um tanto exagerado. Mas é por aí mesmo... Outra coisa, não sei de onde está vindo tanto sono. Talvez tenha sido porque parei de malhar (é, tive que fazer isso devido um corte breve de gastos para quitar outros gastos, sabe como é) ou doença... preguiça? Não sei, só sei que nunca durmo o suficiente. Aliás, falando em academia, sinto bastante falta de malhar... mas não onde eu estava malhando, porque o lugar era bem complicado. Imagina você vivendo com um salário, e de uma hora pra outra, começa a receber menos e tendo que fazer uma mudança total nos gastos e modo de vida, pois é... saia de uma academia com qualidade e vá para uma inferior, é a mesma coisa. Senti a diferença, senti o rendimento caindo, o estresse (que não existia) aparecendo... e o que devia ser uma distração e have fun virou uma rotina chata e sem ganho algum. Daí, a decisão de parar de malhar, pagar todas as contas absurdas que eu fiz durante esses dois anos de emprego, e depois conseguir voltar a malhar onde eu havia começado. Quando você vê uma pessoa que não entende nada de empreendedorismo tentando tocar uma academia, dá nisso... mas quem liga? Eu ligo e eles deveriam, mas vou deixar pra lá... eles só vão se manter em pé por conta da boa localização e falta de concorrentes próximas, quem é que quer ter de pegar dois ônibus para chegar na academia, quando existe uma bem do lado da sua casa? Então, estou ocioso, tanto fisicamente quanto profissionalmente. Sabe o filme Tempos Modernos, do Charles Chaplin? Pois é, resume bem como é meu emprego atualmente. Daí você imagina fazer a mesma coisa há mais de dois anos... resultado: uma pessoa amarga. O problema é: como tratar de um calo que te dá novos sapatos? E a resposta é: mudança. A pergunta seguinte é: E a coragem?

Ai, tô batendo fora da água e sem forças pra voltar ao mar. Entende? Preciso de férias, preciso de uma paisagem diferente, assim como pessoas, gostos, hábitos...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Feliz, obrigado. Mais por favor?


Alice saiu para encontrar Sam no café, determinada em fazer com que o rapaz parasse de lhe mandar flores, chocolates, ou qualquer coisa que continuasse alimentando um amor que ela não poderia corresponder. Por volta das cinco horas da tarde, ela chegou e o encontrou na mesa, aparentemente tranquilo e calmo.

- Que bom que você chegou Alice, eu já estava ficando com fome...
- Me atrasei muito?
- Não... [olhou no relógio] Você chegou bem na hora.
- Ótimo.

Entre goles de café e pedaços de bolo de morango, eles conversavam, sobre o trabalho, a doença de Alice, até que Sam a interrompeu para perguntar qual vinho ela preferia.

- Então, vinho tinto ou branco?
- Sam... nós temos que conversar.
- Tinto?
- Sam, é sério!
- Se você vai vir com aquela de o problema não é você, sou eu... eu me recuso a ouvir, ok? Então, você vai querer vinho tinto ou branco?
- Eu não sou a garota certa pra você. Olha, eu te acho uma pessoa muito bacana só que
- Feche os olhos.
- Como?
- Por favor? Faz isso por mim.

Alice então fez o que lhe foi pedido, e ficou de olhos fechados, enquanto Sam começava a falar sobre seus sentimentos por ela.

- Você merece o melhor. Eu não entendo porque você acha que sua vida precisa ser miserável, que você não precisa ser amada por alguém, acredite... eu posso lhe dar o que você precisa. Se você deixar, eu posso te amar da forma que você quer, e te tratar bem, não só hoje, ou amanhã, todos os dias em que permanecemos juntos. Por favor, permita que eu goste de você, é só isso que você precisa fazer. Abra seu coração pra mim.

Lentamente a moça foi abrindo os olhos e... de uma forma incrivelmente estranha o rapaz havia mudado.

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Foi isso que aconteceu, ele me mandou fechar os olhos e quando abri... cada pedaço do seu rosto havia se juntado, e eu nunca... nunca tinha visto alguém tão lindo na minha vida. E você sabe como o Sam não é tão bonito. Eu fui lá determinada a fazer com que ele me esquecesse, e olha no que deu. Então, é esse o conselho que eu te dou: você está pronto para viver um livro inteiro, permita que as outras pessoas te amem, você merece isso tanto quanto eu.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E aí, vamos nos encontrar?

Nós temos um tanto em comum, né? Você gosta de escrever como eu, e quase sempre sobre o mesmo assunto. Mas musicalmente falando, somos tão diferentes. E eu vou querer transar ouvindo aquela estilo musical que não te agrada, vai gerar discussão... falta de apetite sexual. Quando chegar o final de semana, você não vai estar disposto a ver um filme comigo, vai pegar o carro da sua mãe e chamar os amigos para irem para a boate com você. De que valerá a pena? Não vai dar certo. De fato, você é agulha no plalheiro, mas eu preciso mais que um achado mirabolante, inusitado. Por que eu sou assim? Por que eu simplesmente não transo sem perguntar o nome, e depois peço em namoro? Por que é tão importante pra mim seguir estes passos atrasados? Conhecer, ficar, iniciar um namoro e só então consumar tudo em noite fria. Queria simplesmente ser mais acessível, extrovertido, de fácil convivência e afável. Mas eu tenho algo para cuidar, não posso simplesmente sair por aí sorrindo, abrindo a guarda. Nunca se sabe... e eu bem entendo de sofrimento, de estar disponível para pessoas erradas, entrar de cabeça em mares de água clara e segura, quando na verdade há pedras por todos os cantos. Eu entendo disso, e não posso colocar minha resistência e coração em risco de novo.

- Mas e aí, vamos nos encontrar?

Eu não sei não, você não vê que eu complico tudo? Eu sempre acho um caminho para não arriscar. Você sabe onde eu moro, onde eu estudo, trabalho, vai ser mais fácil se você topar comigo na saída de qualquer um desses lugares, mas nos encontrar não... não quero nada marcado, planejado, contado no ponteiro do relógio. É assim que eu quero que a gente comece, se você ainda estiver disponível depois de saber disso... bem... você sabe o que fazer.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

quem sabe?

Quem sabe você não vai ser aquele a segurar minha mão. aquele que vai me acordar de madrugada porque teve um pesadelo. aquele que vai chegar atrasado na hora do almoço, se desculpando, explicando os motivos, reunião de urgência na empresa. Quem sabe não é dessa vez que alguém me tira do escuro. me leva pra conhecer lugares novos. paisagens novas. um mundo diferente de mãos dadas cidade à fora. Quem sabe, finalmente, eu vou poder colocar em prática todo o romantismo guardado. o afago nos cabelos. as discussões idiotas. companhia para tudo, compras e velórios. Quem sabe não é você, aquele que vai me fazer mudar de opinião. gostar de coisas que eu nunca tive interesse. me mostrar um caminho diferente. visões diferentes. melhorias, dentro e casca. Então, finalmente, vou surpreender meus amigos no cinema, levando uma companhia. Sem ser parentes, ou casos de um dia e meio. Quem sabe, depois de tanta tempestade, não vai simplesmente nascer um sol lindo lá fora e fazer as coisas acontecerem? Só há um jeito de tirar essas dúvidas.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Mudanças.

"Quando ele disse que era tarde demais, que se eu tivesse dito antes tudo seria diferente, ele estava mentindo. Essa é a forma menos dolorosa de dizer 'não... eu não quero você'. E até foi. Não que eu estivesse apaixonado por ele, eu apenas achava que... daria em alguma coisa. Só isso."


Engraçado, eu sempre fui sonhador demais. E isso nunca foi bom pra mim. Talvez vá ser no futuro, quando eu usar tudo isso para escrever um livro, um filme, uma peça, ou qualquer coisa assim. Mas para mim mesmo, não... nunca foi bom. Sempre quis me ver perdidamente apaixonado por alguém, independente de preferências, se aquela pessoa iria ser compatível comigo ou não. Aos poucos, estou conseguindo enfiar na minha cabeça a idéia de que não existe a pessoa certa. Por hora, é melhor assim. E está funcionando. Vejo os outros apenas como qualquer coisa, são só seres humanos. Sem achá-los bonitos, sem trocar olhares na rua, nada. Pedaços de carne que vem e vão. Sorriso qualquer. De fora, pode parecer que eu estou me fazendo de rocha, como se eu fosse muito exigente... mas não sou, no fundo, no fundo, não sou. Mas esse fundo vai ser trancado a sete chaves. Talvez abri as portas demais, escancarei demais, e deu no que deu. Entrou quem quis, fizeram o que fizeram, e a sujeira? Tive de limpar sozinho. E quando está frio? Não há nenhum deles por perto. É o momento certo para trancafiar o sensível, aflorar o ser menos racional que existir dentro de mim. Só haverá beleza em paisagens, pessoas serão apenas cartas... torres de xadrez. Iguais, e sem beleza nenhuma, até que alguma me prove o contrário.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

stay




Dizemos adeus na chuva,
E eu fico em pedaços enquanto você vai embora.
Fique, fique.
Porque toda a minha vida me senti assim,
Mas eu nunca consegui encontrar as palavras para dizer...
Fique, fique.



Stay - Hurts

Culpa.

É culpa minha se visitei os lugares errados. E justo naquele dia, esqueci minha carteira em cima da mesa. Mas você, você não tinha nada que ser generoso e trazê-la até o meu carro. Se tivesse feito vista grossa, a carteira passava despercebida e você se pouparia de toda a destruição que eu traria pra sua vida. E é aí que entra outro ponto: foi mesmo só destruição? Você faz parecer que sim. No meio da noite, você me acordava só pra lembrar o quanto era bom estar ali comigo, e agora diz que nada valeu a pena? Foi culpa minha se eu te vi como refúgio e acreditei que poderia lhe contar tudo que me afligia. É uma droga mesmo ser assim, um criador de expectativas. Viver sem os pés no chão. Mas era você que me trazia tudo isso. Uma sensação de leveza, de estar acima de qualquer coisa ruim. Enquanto eu vivia no céu, um terreno com cacos de vidro era preparado, e quando você finalmente me fez cair na real, eu já chorava sentado em uma poça de sangue. Foi culpa minha achar que alguém tão diferente de mim, poderia cuidar das minhas partes tão sensíveis e feridas por tantos outros. Depositar esperanças em alguém é um tiro no escuro mesmo...